sexta-feira, janeiro 27, 2006

Metrô

Quero chegar logo para vê-la, pensei olhando para a janela do metrô, na janela do metrô não tem vista, não tem cores, não tem nada, só um vulto escuro que passa pelos corredores, sempre tem alguém olhando fixo para a janela, o que esperam encontrar lá fora? Esperança? Objetivo? Vontade de chegar logo como eu? Ou apenas agüentando mais um dia desgastante de trabalho? Cada estação mesma coisa, alguém sai, alguém entra, olhares fixos continuam fixos, pessoas dormindo continuam dormindo, mas naquela foi diferente, um menino, roupas velhas, calça rasgada, meio sujinho, aparentando ter seis anos, como meu irmão, entrou com balas na mão, a senhora do lado fez cara feia, a mulher ignorou e olhou pra cima, só faltou assobiar para um disfarce completo, o menino colocou a bala no colo do homem, ele fez sinal de não com a cabeça e às devolveu, alguns deixavam ele colocar a bala no colo, mas continuavam imóveis, o menino se aproximava de mim, eu ignorei, continuei a olhar fixo à janela, ele colocou as balas no meu colo, fiquei imóvel também, ele se aproximou de uma mulher com uma menininha de uns seis ou sete anos, sua filha creio, e então quando ele passou entregando ela logo estendeu a mão, pensei que sua mãe interviria reprimindo sua a ação dizendo não, mas ela deixou, a menininha pensou que ele estava dando, a mãe então explicou que tinha que pagar, a menininha então pediu algo para sua mãe, numa pequena bolsa, vi sua mãe retirar um pacote de bolacha, do fundo do vagão, o menino estava voltando com todas as balas, ninguém comprou, não comprei, eu tinha dinheiro, podia ter comprado, não comprei, não pensei se eu queria, fiquei pensando se eu deveria comprar, pensei se era para ajudar a família, ou se ele daria o dinheiro pra uma pessoa bêbada ou drogada, ele passou e pegou a bala, bom, agora não da mais, chegou na menininha ela entregou o dinheiro ficou com a bala e lhe entregou um pacote de bolacha para ele, ela sorriu, o menino recebeu a bolacha, ele era sério, muito sério, expressão triste o tempo todo, aceitou não disse uma palavra, não sorriu, chegou na estação, pessoas entrando e saindo, vejo o menino saindo e sumindo no meio da multidão com o pacote de bolacha, e expressão de felicidade no rosto da menina se manteve. Pensei como as crianças são bondosas e inocentes, pensei também se ele iria comer a bolacha, ou se na saída da estação alguém estaria esperando para pegar os seus rendimentos, inclusive a bolacha, ou se tivesse que dividir aquele pacote com mais pessoas e assim não tendo a fome saciada, ou se a fome era sobreposta pelo desgaste de um dia de vendas mal-sucedidas.

3 comentários:

Anônimo disse...

Bem interessante,gostei mt do inicio mais nao sei exatamente onde quis chegar depois,vc começa com um assunto e termina fechando outro..mais seu questionamento em geral foi mt bom..gostei do que escreveu..nao desista..fora que as vezes eh bem legal escrever..ou relatar uma passagem da sua vida interessantes..mts pessoas ja passaram por situações parecidas..em fim..parabens!

Anônimo disse...

u.u axou q ia se livrar do meu super e importante comentário?*faz a cara do avatar*
ONEGAI TEACHER *___*

Anônimo disse...

hum.. sabe ke axo ke o ke vc pensou... eh uma koisa ke mtas pessoas pensam no metro... desde fikar olhando pelas janela ateh pensar se deve comprar tal koisa...