terça-feira, janeiro 31, 2006
Fracasso Vitorisoso & Lá fora
Escrevi, apaguei, reescrevi, mudei, troquei as palavras, não consigo, tentei expor o que sinto, falhei, não sei o que quero, um alguém? indiferente, me odiei, me cobrei, sinto o fracasso, deprimente, parei, pensei, encontrei! alívio, venci, consegui, terminei.
Lá fora... só a luz e o vento.
O som das árvores em movimento.
Tem gato, cachorro... na rua ao relento.
E eu aqui pensando em alguém... num profundo sofrimento.
segunda-feira, janeiro 30, 2006
"Nestante" em algum lugar
Nestante,
Em algum lugar
Tem alguém triste,
Em algum lugar,
Tem alguém sorrindo,
Em algum lugar,
Tem alguém morrendo,
E pessoas chorando,
Nestante
Em algum lugar,
Tem pessoas chorando,
Não teve morte, e sim nasceu uma criança linda, olhinhos redondos, gordinha e cabeluda.
Em algum lugar,
Tem pessoas no hospital, internadas, num quarto esperando para melhorar e voltar logo para casa.
Em algum lugar,
Tem alguém sem futuro, sem esperança.
Nestante,
Em algum lugar,
Tem pessoas desejando pelo menos um pãozinho para aliviar a fome.
Em algum lugar,
Tem pessoas jogando comida fora.
Em algum lugar,
Tem pessoas que não conhecem o amor e carinho.
Nestante
Em algum lugar
Tem gente ganhando na loteria, que alegria!
Em algum lugar
Tem gente falindo, que agonia!
Em algum lugar
Tem alguém beijando sua amada
Nestante
Tem alguém pensando em alguém,
Contando dias para ver seu amor!
Tudo acontece nestante,
Em algum lugar,
Em algum lugar.
domingo, janeiro 29, 2006
Do rosa para o branco
O dia começou diferente, minha mãe não veio me acordar aos gritos, minha irmã menor não me acordou derrubando alguma boneca no chão, ou me chamando para experimentar o seu chá, feito na “cozinha da Eliana”, minha cama estava diferente e branca, não fui pra escola também, não cheguei atrasada, aquele cara da banca de jornal que sempre me olha estranho, não me olhou também, meu quarto está todo branco, era rosa, papel de parede rosa, tudo rosa, desde que me recordo, sempre foi assim, nunca gostei de rosa, estranho, não sei se o motivo foi de eu ter crescido nessa “rosidade” toda, eu gostava de rock, não andava de preto, só uso umas correntes na minha calça, acho bem legal, eu tinha problemas também, bom, mas agora estão todos resolvidos, (droga odeio que entrem no meu quarto sem minha permissão), não sou de fazer amizade fácil, sou muito tímida, tem gente que acha que sou metida por causa desse meu jeito, eu passava horas pensando na vida, tentando entender o porque de eu estar aqui nesse mundo, acho que eu gostaria de ter nascido homem, por que? Bom, meninos ficam na rua até tarde jogando bola, não que eu goste de futebol, eu gosto só de copa do mundo, não tem aquelas trocas completas de jogadores, pelo menos de alguns que jogaram na copa anterior eu lembro do nome, isso se não for nome que termina com “inho”, ou com “son”, que tem aos montes e me confunde, e nomes compostos, como, Fernando Carlos, Luiz Antônio, Augusto baiano, sempre acabo colocando jogador em outra cidade, não tenho o que fazer além de estudar, porém os meninos jogam jogos eletrônicos, assistem desenhos japoneses de luta, ou vêem indecências na Internet, humm, essas coisas não me interessam, nem sei o que fazer, além de ouvir músicas o dia todo, tv? É, se eu travar uma luta entre o canal de desenho contra o que eu quero assistir, ou novela contra o que quero assistir, enfim, se ao menos eu gostasse de ler, mas não, odeio ler! odeio fazer serviço doméstico, odeio o maldito curso de inglês que me obrigam a fazer, por que meninas ganham maturidade mais cedo? Para que serve essa maturidade com 13 anos de idade, larguei as bonecas, não tem nada pra fazer, preferia estar com elas ainda, não posso namorar, sou muito nova pra isso, também está ta na hora de eu começar a aprender certas coisas porque já estou “grandinha”, não da pra entender, (por que continuam entrando no meu quarto) minha mãe está triste, não há nada que eu faça para ela, ela não muda, meu pai não vem mais pedir para eu abaixar o som do rádio, bom, nem tenho mais rádio, eu queria descobrir se aquele garoto da outra sala gosta de mim, não tive coragem de perguntar, bom a gente sempre deixa as coisas pra depois mesmo, também não pedi desculpas pelo vaso importado, de sei lá onde, que eu quebrei até hoje, acho que não vão ligar pra isso, não fiz nada de errado, não fiz escolhas erradas, também, não deu tempo, estranho... não sinto meu corpo, não consigo me mover mais, você já deve ter percebido, só eu que não, alias, percebi, mas não quis acreditar, eu estou morta. Aqui deixo o mundo, tudo o que deixei para depois, levo comigo para sempre.
sexta-feira, janeiro 27, 2006
Confusão
Fico vou estou não estou quero não quero decido mudei de idéia! Que confusão! A pior confusão é aquela que você não sabe se está bem ao certo confuso, eu nem sei se eu não quero isso mesmo, não sei se eu estou realmente confuso ou apenas besteira da minha cabeça, provavelmente é, vamos chama-la de "confusão indecisa". Tem também confusões basedas no futuro, que também são um problema para mim, se no presente ja estou confuso com elas, quando chegar a hora, então, xiiii. Um texto sobre confusão realmente é confuso, e não tem relevância alguma, e quando eu terminar de redigi-lo ainda estarei confuso!
Metrô
Quero chegar logo para vê-la, pensei olhando para a janela do metrô, na janela do metrô não tem vista, não tem cores, não tem nada, só um vulto escuro que passa pelos corredores, sempre tem alguém olhando fixo para a janela, o que esperam encontrar lá fora? Esperança? Objetivo? Vontade de chegar logo como eu? Ou apenas agüentando mais um dia desgastante de trabalho? Cada estação mesma coisa, alguém sai, alguém entra, olhares fixos continuam fixos, pessoas dormindo continuam dormindo, mas naquela foi diferente, um menino, roupas velhas, calça rasgada, meio sujinho, aparentando ter seis anos, como meu irmão, entrou com balas na mão, a senhora do lado fez cara feia, a mulher ignorou e olhou pra cima, só faltou assobiar para um disfarce completo, o menino colocou a bala no colo do homem, ele fez sinal de não com a cabeça e às devolveu, alguns deixavam ele colocar a bala no colo, mas continuavam imóveis, o menino se aproximava de mim, eu ignorei, continuei a olhar fixo à janela, ele colocou as balas no meu colo, fiquei imóvel também, ele se aproximou de uma mulher com uma menininha de uns seis ou sete anos, sua filha creio, e então quando ele passou entregando ela logo estendeu a mão, pensei que sua mãe interviria reprimindo sua a ação dizendo não, mas ela deixou, a menininha pensou que ele estava dando, a mãe então explicou que tinha que pagar, a menininha então pediu algo para sua mãe, numa pequena bolsa, vi sua mãe retirar um pacote de bolacha, do fundo do vagão, o menino estava voltando com todas as balas, ninguém comprou, não comprei, eu tinha dinheiro, podia ter comprado, não comprei, não pensei se eu queria, fiquei pensando se eu deveria comprar, pensei se era para ajudar a família, ou se ele daria o dinheiro pra uma pessoa bêbada ou drogada, ele passou e pegou a bala, bom, agora não da mais, chegou na menininha ela entregou o dinheiro ficou com a bala e lhe entregou um pacote de bolacha para ele, ela sorriu, o menino recebeu a bolacha, ele era sério, muito sério, expressão triste o tempo todo, aceitou não disse uma palavra, não sorriu, chegou na estação, pessoas entrando e saindo, vejo o menino saindo e sumindo no meio da multidão com o pacote de bolacha, e expressão de felicidade no rosto da menina se manteve. Pensei como as crianças são bondosas e inocentes, pensei também se ele iria comer a bolacha, ou se na saída da estação alguém estaria esperando para pegar os seus rendimentos, inclusive a bolacha, ou se tivesse que dividir aquele pacote com mais pessoas e assim não tendo a fome saciada, ou se a fome era sobreposta pelo desgaste de um dia de vendas mal-sucedidas.
quinta-feira, janeiro 26, 2006
Saudade ou Tristeza
Incrível como é possível misturar tantos sentimentos de uma só vez,
como pode um amor correspondido me fazer mal?
Mal porque não me sinto bem com essa saudade violenta,
que esta, é aumentada, pela a impossibilidade de contato,
uma semana sem conversar, sem escutar, sem ver, totalmente.
Há quem diga, “não é mês”, “nem um ano”, pode ser,
mas essa viagem foi num momento inoportuno,
vim de um sonho, passando para um pesadelo,
por que a vida é assim, leva a gente às alturas, e depois em segundos desce como em um brinquedo de parque de diversão.
A lembrança do dia feliz, na minha cama sozinho é dura, com sua ausência fica mais difícil, não consigo lembrar dos acontecimentos,
é triste, não sei se pelo motivo de não tê-la aqui, ou saudade,
não sei se saudade é triste, minhas saudades são tristes,
não quero sentir tristeza, não quero sentir saudade?
Droga! O que é isso afinal?